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Tokenização de commodities 

No podcast de Web3 for business Amanhã já foi, ep Tokenização de commodities, conversamos com Anderson Nacaxe, que tem, como dia a dia, misturar mercado financeiro, tokens, commodities e agronegócio. 

 

Já que começamos desse ponto, vale dizer que isso acendeu nossa curiosidade, e falamos sobre o que é tokenização e quais são as vantagens da tokenização de commodities. Inclusive, aproveitando o gancho, ele nos contou se o fato de serem commodities acabou ajudando ou não na tokenização.

Além disso, Anderson abriu um pouco sobre quais são os desafios da tokenização de commodities, assim como os impactos na economia real e a acessibilização do conhecimento para todos os envolvidos neste ecossistema.

Para quem está de olho na área, segura essa: falamos também sobre como funciona o investimento na Agrotoken. Loucura, né? 

Calma, você ainda não conhece Anderson Nacaxe? Vamos lá… 

Anderson Nacaxe possui 17 anos de experiência em finanças, gestão de risco e estratégias para alavancar o crescimento de empresas e startups, e é economista e diretor nacional da Agrotoken, startup pioneira no mundo em tokenização de commodities agrícolas. 

 

Como funciona a tokenização?

Não tem como receber a informação que o nosso convidado mistura mercado financeiro, commodities e agronegócio, e não ficarmos um tantinho curiosas em saber como funciona a tokenização, mas, principalmente, qual foi seu primeiro contato com a tokenização de tudo, né? 

Para explicar como funciona o processo de tokenização, ele disse o seguinte:

 

“Vou usar a soja como exemplo, tá? O pessoal vai plantar, e ela vai passar 120 dias, por exemplo, num ciclo médio. Quando ela é colhida, vai para um cio para ser processada, e pode ser armazenada ou vai para uma fábrica, para passar por um processo de esmagamento, virando óleo, farelo… seguindo na cadeia produtiva. 

Nesses momentos, ela sempre está passando por alguns momentos de armazenagem, porque não necessariamente eu vou precisar usar ela agora. Com isso, eu posso falar que é um período que eu tenho um ativo super valioso, super líquido, mas que eu não quero transformar ele em dinheiro, mantendo-o como reserva de valor.  

Foi por conta disso, na verdade, que nasceu a ideia da Agrotoken. Na Argentina, principalmente, porque tem um volume muito grande de commodities armazenadas por conta dos problemas econômicos que eles estão vivendo por lá, e o produtor argentino tem muito interesse em acessar esse cofre que ele tem no silo, do que ter uma soja que está um ano parada, porque ele está reservando esse valor.  

E para acessar esse cofre, ele teria que ficar fazendo fixações pequenininhas o tempo todo, ou a gente poderia digitalizar esse processo para ele conseguir transacionar o valor, igual a fichinha da quermesse. E foi isso que fizemos.”

 

 

Sobre a quermesse, se você não entendeu, segura a ansiedade, porque vamos explicar mais para frente! Agora, sobre a trajetória, ele disse o seguinte: 

“É muito interessante, porque a primeira vez que eu tive contato com tokenização foi em 2017, quando eu era diretor de commodities da Corteva. Na época, estávamos fazendo operação usando garantia em commodity para dar crédito ao produtor rural e, com isso, o pessoal já começou a perguntar como poderiam fazer para transformar isso em ativos digitais.” 

 

Ele continua explicando que a tecnologia ainda não estava tão clara, então ele não via tanta “disrupção em transformar um produto de analógico para digital”. Ou seja, essa ideia acabou ficando em segundo plano, acordando apenas em 2021. 

“No ano passado, o CEO da Corteva me procurou e disse que na Argentina já tinham pessoas fazendo um negócio diferente, com tokenização. E era um assunto que já tínhamos conversado, mas que eu ainda não enxergava a real vantagem.”

 

Nosso convidado explica que só conseguiu ver valor quando, nas conversas que teve, entendeu que eles estavam fazendo tokens fungíveis, que são iguais entre si. 

“Então quer dizer que uma soja do Mato Grosso e uma do Rio Grande do Sul possuem o valor igual dentro desse ambiente? E ele respondeu que sim. 

Perguntei, então, se servia como meio de troca, e ele respondeu que sim. Insisti e perguntei se servia como reserva de valor, e lá estava o sim de novo. Para concluir, depois de tudo isso, falei para ele que estávamos falando de uma moeda, e ele concordou, disse que tem equivalência a uma moeda.” 

 

Anderson explica que depois dessa conversa que, como falamos, fez com que ele olhasse com mais carinho para a tokenização, ele voltou para casa, abriu o excel, começou a fazer modelagem e viu que funcionava. 

Com isso, pegou o telefone, ligou, e disse que queria fazer parte disso. 

“Na ligação, falei que queria fazer parte e disse que deveríamos montar uma estrutura no Brasil. Em março, eu já estava na Agrotoken pra gente poder criar isso aqui, que na minha opinião, essa é a primeira aplicação real do Blockchain no mundo. 

A gente tá usando a tecnologia das criptomoedas para conseguir fazer com que o dinheiro desse mundo (que está espalhado no universo digital, das criptomoedas) seja aplicado no setor primário de uma economia. 

Com esse dinheiro, eu quero fazer com que um investidor chegue a um produtor rural. E aí, o produtor rural pode produzir produtos e alimentar o mundo, que é o que ele faz de melhor, e a gente, que está no mundo financeiro e de tecnologia, consiga aproveitar a volatilidade da soja, conseguindo usar esse produto igual usamos outras moedas digitais”. 

 

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Quais as vantagens na tokenização de commodities?

Depois dessa pergunta, não conseguimos pensar em continuar o papo sem entender do Anderson quais são as vantagens de tokenizar commodities e se, por serem commodities, o processo acabou sendo mais fácil ou mais difícil

E ele começou com um exemplo sensacional. 

“Tem muita gente que fala que não conhece token, ou diz que o token que conhece é aquele de autenticação de banco, mas o que a gente está fazendo aqui se assemelha a um token que usamos há tempos em festas e quermesses por aí, que é a fichinha do cachorro-quente, do pastel

Token é um objeto que representa um ativo. Você vai lá no caixa e compra a fichinha do cachorro-quente, e por qual motivo você faz isso? Você faz porque ela vai te dar direito àquele ativo principal, que é comprar o cachorro-quente. 

Na quermesse perto da minha casa, a ficha do ano anterior vale no ano seguinte, então,  quer dizer que se eu tenho a ficha do cachorro-quente do ano passado, eu posso comprar o cachorro-quente com aquela ficha, independente do preço.”

 

Olha só, então porque a gente usa esses tokens analógicos? Para conseguir transferir o valor daquele ativo, facilitando a transação. Era assim no selo, que a gente usava nas cartas que iam ser enviadas, e também no telefone, que comprávamos aquelas fichinhas.”

Anderson explica que esses tokens existiam justamente para facilitar essa transferência de valor, de forma a criar um controle melhor e garantir a confiança. Afinal, é como se alguém dissesse: “Eu já comprei essa ficha no caixa da quermesse, então, o dinheiro está lá. Pode confiar em mim.”

“O que a gente faz quando tokeniza um ativo é basicamente isso, só que com uma tecnologia muito mais avançada para poder fazer esse trâmite com muita segurança e conectar o mundo inteiro de uma vez.

Então, a vantagem é que eu vou facilitar as relações. A gente transfere a confiança de um ente para o outro dentro de uma cadeia produtiva, isso de forma rápida e muito segura.” 

Para concluir, Anderson explica que é por esse motivo que a tokenização começou a ganhar tanto corpo e, quando traz o potencial de fungibilidade, o céu é o limite, justamente por conseguir tornar isso, de fato, um meio de troca. 

 

Por ser uma commodity, foi mais fácil ou mais difícil tokenizar?

Anderson explica que é um pouquinho mais difícil, justamente por ter que lidar com o físico em si. 

“Os volumes por trás dos commodities são sempre muito grandes, né? Então, uma coisa é tokenizar um ativo só, mas eu tokenizo toneladas de soja, toneladas de milho. Por trás do meu token eu tenho que manejar essa commodity física, e isso é um diferencial nosso. 

Quando falamos sobre criptomoeda, ouço o pessoal falando que precisa minerar isso e aquilo, só que aqui, não estamos minerando nada. Está nascendo um grão do solo, que está virando uma planta, que está enchendo de grãos, e esse grão vai gerar o meu token.

Não é um processo de mineração, é de plantação, de crescimento vegetativo.”

Anderson diz que, por isso, a commodity acaba trazendo essa “complexada” adicional, já que ele precisa garantir que o lastro seja real e que tenha um destino logístico tranquilo. 

“A gente é a fusão. Não chamamos AgroToken à toa, somos a fusão do agro, que é todo esse gigante movimentando volumes estrondosos, e do mundo digital. Não é nada fácil, já que tivemos que ter inovações tecnológicas para fazer isso, mas abre uma porta diferente, porque o mundo de commodities tem um preço mais fácil de entender.”

Nosso convidado diz que o mais legal é que a aplicação no ativo digital em commodities tem uma vantagem muito grande para a economia. 

“Vocês viram que o meu background é mais focado em economia, e base de qualquer economia é o setor primário, de extração, produção vegetal e produção de proteína. Esses setores são a base da nossa economia e quando a gente vê a inflação subindo, vemos também esses artigos subindo de preço. “

Anderson diz que possui uma demanda gigantesca para ter uma proteção desses artigos, e o fato de todos saberem o que é milho, soja, carne, contribui para a Agrotoken. Afinal, é um negócio que está dentro do dia a dia das pessoas. 

 

Qual o impacto da tokenização de commodities na economia tradicional?

Gostamos de ver na prática! Por isso, perguntamos ao Anderson como a Agrotoken impacta a economia tradicional.

Nosso convidado começa dizendo que o que é legal da jornada do Agrotoken é que eles nasceram diante da necessidade. 

“A crise/necessidade é a mãe de todas as invenções. Na Argentina, viemos para desbloquear o valor de um produto entregue, e como lá tem muito commodity entregue, o governo acaba regulando essa parte de estocagem, tem certificados digitais já nascendo nessa origem, o que facilita muito o processo.

Agora, quando vem para o Brasil, temos o cenário em que as negociações acontecem muito cedo. A gente, inclusive, desenvolveu um instrumento, o CPR, que é muito forte para negociação de grãos que estão em produção. 

Estou dizendo isso, porque se temos dois lugares para fazer nascer uma solução como essa, é a Argentina e o Brasil. Uma muito focada para o grão entregue, e uma que tem um grau de legislação e jurisprudência em negociações futuras muito forte, que é o Brasil.”

 

Anderson continua dizendo que hoje já possui 30% das negociações de crédito no agronegócio acontecendo em operações de permuta, em que o produtor já está usando a sua soja como pagamento. Ou seja, são países que têm uma cultura no campo e legislação que já favorece que ele fale sobre esse ativo como um meio de troca, e isso já facilita muita coisa. 

“Temos essa cultura porque o produtor sempre usou sua soja referência para combater variação de preço, risco cambial. A soja é precificada em dólar, então se eu falo em soja, estou falando de dólar. Na cabeça do produtor, o que importa é que ele vai conseguir usar a soja que ele tem armazenada.”

 

Quem compra esse token? 

Seguindo o papo, ficamos curiosíssimas para entender como funciona esse processo de compra do token

“Hoje estamos operando de uma forma que chamamos de “circuito fechado”, com o objetivo claro que é ajudar o produtor real. Nossa meta é ajudar a economia (abraçando as famílias e o setor primário), mas o foco está no produtor rural, entendendo como ele está fazendo suas transações, como está comprando insumos, qual é a relação dele com o banco. 

Nesse primeiro momento, estamos mantendo esse ciclo dentro dessas primeiras negociações. Então, se o produtor quer, por exemplo, comprar um trator, estamos permitindo que empresas que não sabem receber soja, passem a aceitar como pagamento a soja digital. Dito isso, é muito importante para nós que o produtor seja a peça que mais confie nesse conceito, para então começarmos a expandir.”

Anderson explica que até chegar no momento em que famílias passam a comprar esse token, a jornada é árdua. 

“Eu já preciso que ele seja percebido como um bem de valor e de troca comum. Para fazer isso, temos que ter muita utilização do setor que conhece muito bem, então, o nosso processo é evoluir gradualmente, começando com as facilidades para os produtores, que já conseguem comprar insumos, abastecer cartões de créditos.” 

 

Gostou? Ouça este episódio, do podcast Amanhã Já Foi, na íntegra, no Spotify. 

 

E se quiser conhecer a Agrotoken (seja você um produtor rural ou não), entre em contato com a equipe por meio do site ou redes sociais

 

 

Ana Wadovski

Web3, Metaverso, Inovação e Transformação Digital

Jornalista brasileira vivendo em Lisboa, especialista em Digital Business, com foco em Transformação Digital e Futurismo. Tecnologia, para mim, é palavra feminina. Quero estar dentro dos debates sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas e das empresas, contribuindo para desenhar um futuro melhor para todos.

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