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Nomadismo Digital e a Web3

No podcast Amanhã Já Foi, entrevistamos o Gonçalo Hall, CEO da NomadX e único português presente na lista das 25 personalidades mais influentes do trabalho remoto da Remote e da Onalytica, no episódio Web3 e Nomadismo Digital

Se você quer saber mais detalhes sobre este estilo de vida, seus desafios, oportunidades para países e governos e também como a comunidade de nômades digitais antecedeu as próprias bases da Web3, continue a leitura. 

 

O que é o Nomadismo Digital? 

Começamos o papo com Gonçalo pelo básico, então perguntamos a ele o que é nomadismo digital e quem são as pessoas que optam por esse estilo de vida, e o que mais nos surpreendeu é que, na resposta, ele diz que nem mesmo os governos sabem do que se trata. 

De acordo com Gonçalo, nômade digital é o cara que trabalha remotamente, mas que aproveita o modelo de trabalho (extremamente flexível) para ter mais liberdade, que geralmente é aproveitada por meio de viagens. 

 

“O nômade é o cara que passa a vida viajando, mas faz isso bem devagar, ficando uma média de dois meses em cada lugar para conseguir aproveitá-lo. Trabalha online, normalmente em startups, mas isso já não é uma regra. 

 

Não existem barreiras, então o único requisito para ser nômade é trabalhar pelo computador. E, olha, não há desculpas para família, já que hoje também vemos famílias nômades.” 

 

Essa fala do nosso convidado nos fez pensar sobre o conceito slowmads, que são pessoas conhecidas por serem os novos nômades digitais, já que preferem viagens mais tranquilas, lentas e focadas em viver o lugar ao máximo. 

Nomadismo Digital e a Web3

 

Por falar nisso, agora é uma boa hora para explicar a diferença entre nômades digitais e turistas. Afinal, é bem característico que os nômades não façam NADA parecido com o que costumamos fazer quando estamos de férias em algum lugar, quando somos turistas. 

Os nômades não querem tirar fotos onde normalmente os turistas vão, ou comer nos restaurantes que normalmente os turistas comem. 

Na real, muito pelo contrário, os nômades digitais são conhecidos por buscarem uma experiência completa do lugar, então eles vão viver como locais, e isso significa andar, falar e comer como eles. 

 

Nomadismo é o mesmo que home office?

Não é a mesma coisa! Inclusive, Gonçalo nos esclareceu que home office é quando você trabalha no seu endereço físico, e o nomadismo digital quebra completamente isso, já que você trabalha de onde quiser. 

O seu trabalho hoje pode ser num café, amanhã num coworking e por aí vai. 

Quando falamos sobre nômades digitais, a ideia de ter um lugar fixo para viver é completamente ultrapassada, já que o principal objetivo deste estilo de vida é garantir liberdade, tanto geográfica quanto profissional. 

 

Os principais desafios de um nômade digital 

Gonçalo Hall é alguém que vive o nomadismo digital na prática, então, não poderíamos deixar de perguntar sobre quais são os desafios para quem quer viver um nômade. 

 

“É um dos estilos mais complicados. Eu acho que temos que tirar essa ideia de que ser nômade é fácil, porque não é. É uma opção que dá trabalho”, explica Gonçalo. 

 

Falamos sobre uma média de permanência de dois meses em cada lugar, mas há quem viaje todos os dias. 

Se focarmos na média de dois meses, ainda, sim, é trabalhoso. Afinal, a cada dois meses o nômade terá uma nova mudança, que envolve fazer malas, encontrar uma casa e se adequar ao lugar escolhido, que pode ter uma outra moeda, outra cultura, outro idioma. 

É como recomeçar a vida a cada dois meses, do zero.

 

 

Nosso convidado explica que quem migra sabe a dificuldade que é recomeçar a vida uma vez, e eles fazem isso a cada dois meses. 

 

“Eu acredito que parte desse crescimento, é viver esse processo, afinal, temos que tentar a retirada de vistos, encontrar casas e, no meio disso tudo, temos que encontrar pessoas. Ninguém é feliz sozinho. Essa experiência só vale a pena quando é vivida dentro de uma comunidade”, comenta Gonçalo. 

 

Não é fácil, mas como Gonçalo bem disse no episódio: “se o coração manda, a gente faz acontecer”. 

 

Falamos sobre a dificuldade, mas a comunidade, por exemplo, é uma ajuda gigantesca para quem escolhe viver o nomadismo digital. A troca é grande, então todo mundo ajuda como pode.

 

As empresas estão prontas para adotar novas formas de trabalho?

Interessadas no assunto, perguntamos ao Gonçalo o seguinte: se com a Pandemia e a quantidade enorme de pessoas que, hoje, já podem trabalhar remotamente, existem empresas olhando para esse mercado?

Para ele, a pandemia acelerou uma tendência que já existia, das empresas abraçarem o trabalho home office como um sistema melhor do que, por exemplo, ir ao escritório todos os dias.

 

“O trabalho home office não é um benefício, mas, sim, um sistema de gestão que provou ser mais eficiente e mais produtivo que o trabalho em escritório”

 

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O custo nos países pode ser uma barreira para os nômades digitais? 

Já que falamos sobre os principais desafios e, considerando que as primeiras ideias de nomadismo digital caminharam para países com custos baixos de vida, resolvemos perguntar ao nosso convidado se o custo dos aluguéis de Portugal não está inviabilizando esse estilo de vida.  

 

“Portugal está enxergando esse mercado, mas ainda não fez nada para atrair os nômades digitais AINDA. Digo isso, porque estamos trabalhando em um visto para trabalho remoto”. 

 

De acordo com Gonçalo, Portugal conta com alguns problemas que precisam ser resolvidos, como o envelhecimento da população e o interior que, nas palavras do nosso convidado, está “abandonado” (muitos lugares já não possuem moradores, então o país vive realizando ações para tentar atrair pessoas para popular esses lugares), por exemplo. 

Com isso, podemos dizer que Portugal se tornou, sem querer, um lugar querido pelos nômades digitais, por ser lindo, claro, mas também por seus aluguéis mais baixos. 

 

“Mesmo que os aluguéis tenham aumentado 40/50% nos últimos cinco anos em Portugal, ainda é mais baixo que qualquer aluguel nos Estados Unidos, Berlim e vários outros países tão desenvolvidos quanto Portugal”. 

 

 

Como a nova geração de tecnologia vai auxiliar a vida dos nômades? 

 

O papo é sobre Nomadismo Digital e a Web3. Então, perguntamos qual é a opinião do Gonçalo sobre como a nova geração de tecnologia vai auxiliar a vida dos nômades como Cripto, DAOs, Blockchain, Metaverso, Comunidades no Discord. 

A comunidade nômade já é líder quando o assunto é web3. Eles são verdadeiro early-adopters quando o assunto são tecnologias que podem melhorar a vida das pessoas. Gonçalo inclusive fala sobre um dos fundadores da rede Ethereum que é um nômade.

“Está muito enraizado (Web3) em nossa comunidade”, afirma Gonçalo.

Segundo Gonçalo, há muitas oportunidades na Web3. O problema especificamente com os NFTs foi o foco no uso menos interessante deles. Desta forma, Gonçalo aponta uso de NFTs para o setor imobiliário, em especial, hospedagens. Já há adoção de NFTs para estes usos sem a necessidade de contratos em papel.

Além deste uso de NFTs citado pelo Gonçalo, temos ainda o uso do NFT Ticketing que está transformando o setor de espetáculos. Gonçalo reforça que “NFTs não são JPEGs” e possuem funções interessantes para uma comunidade descentralizada.  De maneira que a descentralização é ponto central do nomadismo digital e da web 3, a Nomadx, empresa do Gonçalo, vai lançar um NFT específico para a comunidade nômade. Esse NFT vai dar acessos a espaços como coworking e eventos com descontos. Os planos são para o ano que vem!

O lançamento do NFT não contempla apenas os nômades que desejam descontos exclusivos. Os investidores também podem apostar em locais que estão despontando como polos de atração de nômades, ganhando financeiramente com isso: o local, os nômades e os investidores.

Gonçalo ainda aponta algumas tendências como a inclusão de adesões lifetime em contraponto aos sistemas de subscrição ou, aluguel recorrente. Assim, Gonçalo disse que, dentro do seu projeto de NFTs, ele espera também conseguir financiar espaços de coliving, trazendo investimentos. O ponto é criar a partir das vantagens da Web3, uma solução para alojamentos que é uma das dores daqueles vivem no nomadismo digital. Já imaginou uma rede de alojamentos global? Gonçalo ainda finalizar falando da importância das comunidades.

“Web3 é acerca de comunidades. Na nossa empresa nós só falamos de comunidades.”

“Mesmo pessoas que moram em cidades estão buscando comunidades. Por isso é tao importante usar a web3 para criar essas comunidades que vão ser a razão pela qual as pessoas vão participar e investir em um projeto. “

Ouça este episódio, do podcast Amanhã Já Foi, na íntegra, tanto no Spotify quanto no Youtube (aqui você conta com o plus de ver nossas carinhas).  

 

Ana Wadovski

Web3, Metaverso, Inovação e Transformação Digital

Jornalista brasileira vivendo em Lisboa, especialista em Digital Business, com foco em Transformação Digital e Futurismo. Tecnologia, para mim, é palavra feminina. Quero estar dentro dos debates sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas e das empresas, contribuindo para desenhar um futuro melhor para todos.

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