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NFT Ticket Pass: saindo do Hype dos NFTs com Alexandre Ariel

NFT Ticket Pass: saindo do Hype dos NFTs com Alexandre Ariel. No podcast de Web3 for business Amanhã já foi, ep “NFT: passado o hype, o que podemos esperar?”, conversamos com Alexandre Ariel para entender qual é a opinião dele sobre o que há para além do buzz ao redor dos NFTs

Alexandre compartilhou conosco um pouco sobre os benefícios da utilização da tecnologia NFT para o setor de ingressos e eventos – NFT Ticketing, explicando por qual motivo esse modelo revoluciona a maneira como compramos ingressos, assim como transforma a relação entre público e artistas. 

Nosso convidado ainda falou sobre os ciclos de altas e baixas do mercado de NFTs. 

A conversa, claro, está fenomenal, o que já esperávamos de Alexandre Ariel, afinal, ele é board member do MIT Technology Review Portugal e co-fundador da NFT Ticket Pass, empresa responsável pelo projeto de NFT da última turnê do Milton Nascimento. 

 

 

Qual foi o primeiro contato de Alexandre Ariel com o NFT?

Para começar a conversa, pedimos ao nosso convidado que ele nos contasse como foi a sua entrada na Web3.

 

“Vamos lá. O meu primeiro contato com Blockchain, na real, aconteceu quando o Bitcoin basicamente nasceu, era lá em 2009. Bem no início mesmo. Eu morava em um apartamento bem pequenininho junto com a esposa. Nunca mais me esqueci desse dia, porque a gente estava morando temporariamente nesse lugar, esperando o apartamento que a gente tinha comprado ficar pronto. 

Naquela época, eu tinha um site chamado Videolog e, bom, estava lá eu deitado, acompanhando as novidades de tecnologia e caiu, não sei muito bem como, numa referência sobre o assunto da época. nCom isso, eu comecei a procurar umas coisas no YouTube de quem também estava começando, que eram concorrentes do Videolog, e fui conferir se tinha alguma coisa relacionada a isso lá fora e, obviamente, tinha nos Estados Unidos (que ainda hoje continua sendo muito forte nesse tipo de conteúdo). 

E lá fui eu ficar apaixonado por aquele troço chamado Bitcoin. Nesse mesmo dia, eu montei uma máquina privada e fiz a mineração para entender a lógica do Bitcoin.”

 

Nosso convidado diz que, no final das contas, esse comecinho foi algo marcante para ele. 

“Lembro de acordar minha esposa e mostrar tudo que eu tinha feito, e ela não entendia nada. Ainda assim, eu falava para ela super empolgado que isso ia ser revolucionário”. 

Ariel conta que foi acompanhando o mercado Web3, o nascimento do Ethereum e tudo que veio depois, sem necessariamente colocar a mão na massa. 

“Só de minerar, só de entender a lógica e ver que aquilo poderia ser fantástico a longo prazo, me despertou o interesse, e por isso eu sempre acompanhava o mercado.”

 

Qual o futuro do NFTs para além do buzz atual em cima do Bored Ape?

Falamos ao Ariel que vimos o mercado de NFTs ter transações milionárias e depois a queda também, que foi absurda, e pedimos para ele compartilhar conosco sua visão sobre esse buzz inicial: o mercado está estabilizando para entender o real valor do NFT? O que a gente vai ter depois desse movimento todo que acontece? 

 

“Esse movimento sempre aconteceu na internet, antes da bolha Web1, e depois da Web2 foi a mesma coisa. Se vocês quiserem, depois procurem a quantidade de jornais que, na época, falavam que a internet estava querendo tomar o lugar das agências bancárias, e isso nunca aconteceu, mas era a previsão de todo mundo. 

E aí, é engraçado, porque era frequente ver no Jornal Nacional ou Fantástico, fraudes usando a internet Web2. Aliás, isso aconteceu por muito tempo, e até hoje a gente vê, em especial com os bancos, então se surgia alguma falha, tínhamos a mídia a semana inteira falando como se fosse algo catastrófico. É a mesma coisa que acontece hoje com a Web3, não tem a menor diferença.  

Temos ciclos muito parecidos, muito mesmo. Quando colocamos vídeo na internet, na época do Videolog, tivemos o momento de boom, esfriou e depois voltou bem mais forte. O vídeo foi indo e voltando o tempo inteiro, assim como aconteceu com as fotos, com as interações, e etc. 

Como eu falei, eu não vejo diferença nenhuma do que está acontecendo hoje. Talvez, a única diferença é que hoje temos mais matérias, mas isso acontece porque nos falamos bem mais pela internet.” 

Ana complementa dizendo que nunca viu um movimento mundial tão grande em termos das pessoas tentando entender os termos e diferenças entre eles, como criptomoeda e NFTs, por exemplo. 

“Quando tocamos em dinheiro, em instituições tão tradicionais, tão conservadoras, tão centralizadoras, e a gente rompe essa lógica, é claro que isso gera uma quebra absurda. Eu percebo esse ciclo, e eu nem sei se chegamos ao ápice dele, das compras, das quebras.”, conclui Ana.

Nosso convidado respondeu a Ana dizendo o seguinte:

“Eu acho que tem muita coisa ainda para crescer, porque o mercado é muito pequeno, muito nichado. Adoro ouvir quando as pessoas não conhecem, quando ficam perdidas ou quando falam que é esquema, que estou participando de uma pirâmide. 

Eu gosto disso porque mostra que as pessoas não sabem nada do que elas estão falando, mas que vão saber em algum momento. E quando isso acontecer, que seja via nossa solução.”

 

Nosso convidado ainda diz que as pessoas em casa deveriam pensar que se a internet está recomeçando, se tem a facilidade de usar esse recurso em negócios, vale aproveitar. 

“Os recursos são fantásticos para usar no futuro, a longo prazo. E olha, o mercado em queda é a melhor coisa que existe, afinal, é aqui que a gente constrói, monta e aproveita o bull run quando vier. Pode demorar um mês, um ano ou até dois anos, mas você vai estar consolidado, o seu negócio vai estar ativo.” 

 

NFT do desenho de infância do Milton Nascimento

Não poderíamos deixar de entrar nesse assunto, não é? Pois bem, a NFT Ticket Pass fez um NFT de um desenho de infância, serra de três pontas, do Milton Nascimento, que a compra tinha, como benefício, a entrada para a última turnê do artista, que foi super exclusiva. 

 

NFT Ticket Pass: saindo do Hype dos NFTs com Alexandre Ariel
Tela NFT, Milton Nascimento. Foto: Divulgação

O processo, pelo que acompanhamos nas redes do nosso convidado, foi muito claro. Ana, inclusive, disse que algo bem interessante: “com esse projeto, vocês conseguiram mesclar nosso mundo tradicional, já que a compra do NFT era feita por meio do pix, que estava registrado numa Blockchain (inclusive, era como vocês faziam a entrada das pessoas), e automaticamente esse NFT poderia entrar num Marketplace, como a OpenSea.”

Pensando em todo esse processo, pedimos ao Alexandre contar um pouquinho dessa experiência, até mesmo sobre a jornada de explicar essa ideia do NFT Ticketing para as pessoas. 

 

“Essa demanda veio do empresário e do filho do Milton Nascimento, e a intenção era aproveitar esse storytelling maravilhoso. 

Eu adoro o artista, que fez parte da minha infância, mas o empresário dele veio mostrando o poder do Milton de forma global, e percebemos juntos que tinha uma demanda gigantesca de famosos querendo fazer coisas com ele, e pode ser muito legal usar esse poder dele para viralizar e até mesmo usar alguns recursos. 

Entrando na questão do NFT, falamos que só fazíamos se for um evento exclusivo para quem adquirir o NFT, justamente para marcar isso na história do Brasil. Por falar nisso, esse é o primeiro show de um grande artista brasileiro que a entrada é feita apenas com o NFT. 

Esse show normalmente se faz entre amigos, então, quando você vai fazer uma turnê, é feito um evento antes, em que só são convidados os amigos para uma comemoração inicial. Com essa possibilidade do NFT, trouxemos a vantagem das pessoas participarem desse evento exclusivo, dessa coisa única. 

A nossa ideia inicial era fazer o mint direto pelo site, só que o mercado começou a entrar em declínio e, como sabíamos que ia gerar um burburinho em volta disso, eu não queria que as pessoas ficassem pensando um milhão de vezes antes de realizar a compra. 

Em uma semana, um tempo recorde, pensamos numa solução para que as pessoas conseguissem comprar também pelo PIX. Deixamos o Ethereum, cerca de 25 unidades, e a grande maioria via pix. Foi muito bacana, porque o mercado estava em declínio, e o negócio vendendo igual água. 

 

No modelo de compra de NFTs com PIX, existem alguns pontos que valem a pena que eu fale por aqui, como: 

 

  1. Se eu dou uma opção, igual o mercado está fazendo no Brasil, da pessoa comprar e eu enviar o Ethereum para ele, eu estou fazendo o papel de corretora, e isso poderia ser um problema

 

  1. Eu não queria que as pessoas fizessem login e senha, porque eu não queria custodiar a carteira das pessoas, já que isso poderia resultar em um problema jurídico

 

  1. Eu, Ariel, tinha muita vontade de fazer com que as pessoas tivessem a experiência com a Web3, independente de qual fosse a situação. 

 

No nosso processo, a pessoa clicava em comprar com o pix e a gente explicava passo a passo, que funcionava fazendo o download do aplicativo (que é uma carteira), que tem a função de armazenar os pertences, guarda a primeira frase (que é o principal acesso das pessoas aos NFTs) e fornecer dados pessoas (email, telefone, CPF e nome). 

Com isso, a pessoa solicitava, fazia o pagamento pelo pix e automaticamente a gente fazia o mint para a carteira da pessoa. Afinal, não era a transferência de um projeto, a pessoa realmente era dona.

E foi um sucesso, todos foram vendidos em apenas 2 dias.” 

 

NFT Ticketing: Compra de NFTs com smart contracts 

Com a conversa com Alexandre Ariel, percebemos que existe uma série de benefícios para o próprio mercado de eventos na compra/venda de NFTs com o uso de smart contracts, como, por exemplo, você consegue perceber se o NFT é verdadeiro ou falso conferindo os últimos números do aplicativo oficial do evento. 

Além disso, Ariel nos contou que a revenda passa a ser saudável, já que em cada venda automaticamente é feita a distribuição dos royalties tanto para o empresário quanto para o artista. 

Com essas informações, perguntamos ao nosso convidado se é possível criar a regra que quiser para NFT Ticketing.

 

“Sim! No nosso protocolo, por exemplo, é possível bloquear os NFTs se existir alguma dificuldade ou possibilidade de fraude, liberando para a venda depois que é normalizado. Para ingresso, para evento, é fenomenal, já que você tem o registro que você foi naquele lugar, o desbloqueio de membership é fantástico…”

 

A Adriana ficou bem empolgada com esse trechinho da conversa, até porque, temos um episódio com a Janara Lopes, que falamos sobre NFTs para criativos e artistas, e como ele disse que toda vez que é feita uma revenda uma parte do valor pode ser destinada aos músicos, se esse for o combinado, ela resolveu perguntar se essa regra é feita através do smart contract.

 

“Sim, exatamente, daquele NFT. Esse smart contract é nosso mesmo, do nosso protocolo, do NFT Ticket Pass. E aí, com essas regras, com esse bloqueios, essas limitações,  tem todo o processo de mecânica, que é fantástico para isso.”

Com essa fala, Ana complementou sobre a desburocratização com NFT Ticketing

“É uma desburocratização né? Por isso eu fiquei encantada com os NFTs, porque percebo o quanto você pode privilegiar os próprios artistas que estão envolvidos com os projetos, e como o smart contract vai redefinir boa parte do futuro do trabalho.  Conseguimos ver essa questão com bastante clareza com a revenda dos NFTs que o Ariel falou, em que as pessoas, por exemplo, não precisam acionar advogados por não ter recebido os royalties. O smart contract não tem julgamento, ele é aquilo que está estabelecido numa linha de código e acabou.”

NFT NYC: o maior evento de NFTs do mundo 

Ariel comentou sobre esse evento, o NFT NYC, que é uma aula sobre exclusividade em eventos. 

“É surreal! Lá só está quem tem Bored Ape e/ou cryptopunk, e é óbvio que isso valoriza ou desvaloriza com o tempo, mas olhando o que está acontecendo nesse evento, não tem como esse negócio cair o preço. Os macacos invadiram NYC! 

Os organizadores estão fazendo um negócio impressionantemente gigante em relação à experiência. É exclusivo, caro, é de outro mundo.” 

APEFEST @ NFT.NYC 2022 | Reprodução. Foto: Ornella Hernandez

 

NFT é hype? 

Levando em consideração o nome deste episódio, é claro que terminaríamos a conversa perguntando ao Alexandre se ele acha que NFT é hype ou se, de fato, ele consegue enxergar futuro

“Não tem como ser hype, porque o NFT tem utilidades muito práticas pela usabilidade do protocolo como funcionalidade, como, por exemplo, mandar dinheiro para outro país, inclusive em NFT. 

Eu posso mandar um pacote fechado de moedas, ou um pacote fechado de ações, isso dentro de um NFT. Eu posso colocar o que quiser ali dentro e mandar de um país para o outro, e conseguir liquidar ele em países diferentes.

Então, sim, eu acredito muito, justamente por ter muita coisa bacana para fazer. Vamos aproveitar esse mercado, que é fantástico.”

 

Gostou? Ouça este episódio, do podcast Amanhã Já Foi, na íntegra, no Spotify.

 

NFT Ticket Pass: saindo do Hype dos NFTs

 

 

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Ana Wadovski

Web3, Metaverso, Inovação e Transformação Digital

Jornalista brasileira vivendo em Lisboa, especialista em Digital Business, com foco em Transformação Digital e Futurismo. Tecnologia, para mim, é palavra feminina. Quero estar dentro dos debates sobre o impacto da tecnologia na vida das pessoas e das empresas, contribuindo para desenhar um futuro melhor para todos.

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